domingo, 8 de Fevereiro de 2009

(Re)Lembrando

Em momentos de silêncio e ausência de ti, questiono muitas vezes se haverá vida antes da morte, ou se em vez de vivermos desde que nascemos, apenas vamos sobrevivendo à única coisa que temos como certa.
Talvez esta fosse a grande questão da vida, a questão que nos enche de esperança para enfrentar um novo dia depois de termos chorado tudo o que passou. Talvez seja em busca desta resposta que todos julgamos valer a pena encher de fôlego o peito.
Mas tu estás ausente há demasiado tempo, ausente desde mesmo quando me abraçavas e clamavas sentir amor por mim para a vida inteira. Sabias já quão curta seria a minha vida?
Agora que me deito nos lençóis que um dia nos abraçaram relembro as razões por que te desejei. O teu sorriso, e a forma como ele me provocava sedutoramente. O teu riso, e o modo como ele me tentava. Os teus olhos, e o jeito como me hipnotizavam. As tuas palavras, e a maneira como me guiavam. As tuas promessas, e como me tornei crente delas e por elas.
Aqui deitada no silêncio que partilhávamos relembro as razões por que te amei tão intensamente. O teu sorriso, e a forma como ele me dava tanta vida. O teu riso, e o modo como ele tornava bem o mal. Os teus olhos, e o jeito como eles liam os meus pensamentos. As palavras, e a maneira como me aconchegavam. As tuas promessas, e como me agarrei a elas.
Agora que escorre o sangue pelos ossos e as lágrimas brotam secas, no leito da morte do nosso amor relembro todas as razões que me fazem odiar-te. O teu sorriso, e a forma como ele me confunde. O teu riso, e o modo como ele me ridiculariza. Os teus olhos, e o jeito como eles olham vazios os meus. As palavras, e a maneira como me ferem. As tuas promessas, e como elas me mentiram.